O reformador João Calvino que poucos conhecem

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Iremos retratar abaixo a condenação de Miguel Servet, que fora levado para fogueira a mando e orientação de Calvino em 1553, constatando que os reformadores em especial João Calvino, utilizaram de métodos hostis e intolerantes com quem divergia de suas concepções pessoais, histrumentos de violência e opressão. E não como alguns historiadores tentam apresentá-los, sob a forma de “homens isentos destes exageros”.

Antes de tudo vamos trazer o perfil de Miguel Servet, supliciado por João Calvino, cujo “martírio” transcreveremos abaixo com fontes protestantes.

Miguel Servet nasceu em Villanueva de Sigena, Espanha, em 29 de Setembro de 1511, durante sua vida atuou como médico, tendo sido formado em Paris, também filósofo e humanista, produziu o que podemos dizer de sua própria teologia sob o que havia recebido em Louvain quando estudará, dizia entre outras coisas, como a exemplo dos cátaros e os valdenses no passado que a Igreja havia se corrompido e que o Cristianismo deveria reabilitar sua “pureza” negou vários dogmas da Igreja na época, tendo como o principal dos dogmas que não concordava e até escreveu contra, o Dogma da Santíssima Trindade cujo o mesmo contestava e não acreditava, suas posições alertaram muitos clérigos da França, levantando muita polêmica entre os próprios protestantes.

Em 27 de outubro de 1553, João Calvino, o fundador do Calvinismo um dos lideres da reforma protestante no fim do séc. XVI apoiou e chefiou a condenação do herege Miguel Servet, o médico, acabou sendo queimado em uma estaca nas redondezas de Genebra por suas heresias doutrinárias, no entanto, o precursor da predestinação da alma, esteve totalmente envolvido com a morte desse herege. Sabemos também que matou muitos outros, assim como numerosos católicos por não professarem sua fé quando prefeito de Genebra, muitos acreditam que a morte deste médico espanhol já havia sido planejada a muito tempo antes de Servet ser capturado pelos seus irmãos em Genebra, Calvino tinha escrito a seu amigo Farel, em 13 de fevereiro de 1546 (sete anos antes de Servet ser preso) e foi arquivado como dizendo:

“Se ele [Servet] vier [à Genebra], eu nunca o deixarei escapar vivo se a minha autoridade tiver peso.” (Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Baker Book House, 1950), p. 371.)

Evidentemente, naqueles dias a autoridade de Calvino em Genebra, Suíça, tinha “peso” absoluto era inquestionável. Durante o julgamento de Servet, Calvino escreveu:

“Eu espero que o veredicto seja pena de morte.” ( Walter Nigg, The Heretics (Alfred A. Knopf, Inc., 1962), p. 328.)

Para ressaltar este cenário vale salientar que antes desta condenação em Genebra, Servet tinha enfrentado julgamento da Inquisição Francesa, cujo fugira antes de se concretizar todo o processo, sendo condenado por heresia, após isto resolveu viajar para a Itália, Servet inexplicavelmente parou em Genebra pelo caminho, onde foi denunciado por Calvino e os Reformadores. Ele foi pego um dia depois de sua chegada, condenado como herético quando se recusou a se retratar acabou sendo queimado em 1553 com a “aparente tácita aprovação de Calvino.”(Who’s Who in Church History (Fleming H. Revell Company, 1969), p. 252.).

“No curso de sua fuga para Viena, Servet parou em Genebra e cometeu o erro de assistir um sermão de Calvino. Ele foi reconhecido e preso depois do culto.” (The Heretics, p. 326-329).

“Calvino teve ele [Servet] preso como herético. Condenado e queimado até a morte.” (The Wycliffe Biographical Dictionary of the Church, p. 366.).

Entre o período em que Servet foi preso em 14 de agosto até sua condenação, Servet passou os seus dias restantes:

“[…] em um atroz calabouço, sem luz ou aquecimento, pouca comida e sem facilidades sanitárias.” ( John F. Fulton, Michael Servetus Humanist and Martyr (Herbert Reichner, 1953), p. 35.).

Seja observado que os calvinistas de Genebra colocaram madeiras semiverdes em torno dos pés de Servet e uma coroa de enxofre em sua cabeça. Levou em torno de trinta minutos até que sua agonia terminasse em tal fogo, com o povo de Genebra em pé em volta para assistir ele sofrendo e morrendo lentamente! Logo antes disso acontecer, os arquivos mostram:

“Farel caminhou ao lado do homem condenado e manteve uma constante enxurrada de palavras, em completa insensibilidade ao que Servet pudesse estar sentindo. Tudo que ele tinha em mente era extorquir do prisioneiro um reconhecimento de seu erro teológico – um chocante exemplo de uma desalmada cura de almas. Depois de alguns minutos disso, Servet cessou de responder e orou silenciosamente para si mesmo. Quando eles chegaram ao local de execução, Farel anunciou a multidão que assistia: ‘Aqui você vê o poder que Satanás possui quando ele tem um homem em seu poder. Este homem é um distinto estudioso e ele, no entanto acreditava que estava agindo corretamente. Mas agora Satanás o possui completamente, como ele poderia possuir você, cairia então você em suas armadilhas. Quando o executor começou o seu trabalho, Servet sussurrou com voz trêmula: ‘Oh Deus, Oh Deus!’ O opositor Farel vociferou para ele: ‘Você não tem nada mais a dizer?’ Neste momento Servet respondeu para ele: ‘O que mais eu posso fazer, mas falar com Deus!’ Logo após isso, ele foi suspenso até a fogueira e amarrado às estacas. Uma coroa com enxofre foi colocada em sua cabeça. Quando as fagulhas foram acesas, um lancinante grito de horror brotou dele. ‘Misericórdia, misericórdia!’ ele clamou. Por mais de meia hora a horrível agonia continuou, porque a fogueira havia sido feita com madeira semiverde, que queima lentamente. ‘Jesus, Filho do eterno Deus, tenha misericórdia de mim,’ o homem atormentado clamava do meio das chamas[...]” ( The Heretics, p. 326-329.).

“Calvino havia então matado seu inimigo e não há nada que sugira que ele jamais tenha se arrependido deste crime. No ano seguinte ele publicou a defesa na qual mais insultos foram acrescentados a seu antigo adversário num linguajar dos mais vingativos e severos.”( Michael Servetus Humanist and Martyr, p. 36.).

Calvino teve muitas razões para executar Servet, a principal dela era a econômica, pois:

“Como um ‘herege obstinado’ ele teve suas propriedades confiscadas sem dificuldades. Ele foi maltratado na prisão. É compreensível, portanto, que Servet tenha sido rude e insultante em sua confrontação com Calvino. Infelizmente para ele naquele momento Calvino estava lutando para manter o seu poder decadente em Genebra [...]” ( The Heretics, p. 326-329.)

Podemos verificar que durante o período da reforma existiram “excessos protestantes” que não chegam a nossos ouvidos, a atual historiografia não têm se preocupado com o estudo e explanação destes eventos. A parcialidade histórica apoiada um espírito anticatólico propaga uma “história parcial” dos reformadores. E Tratando-se do envolvimento da Igreja com seus filhos ocidentais, é patente uma crítica ferrenha tributada a Igreja católica, tanto nas situações ligadas a atuação da Inquisição ou com o Tribunal do Santo Ofício. Enfim na história que aprendemos e tentam nos persuadir a acreditar é veiculado que os agentes protestantes são os heróis ou “mártires” destes tempos “corruptos” e obscuros em que os titãs malignos dominavam.

Quando nos deparamos com narrações e acontecimentos que não conhecemos, como o caso tratado no texto, referente ao período da Reforma protestante e atuação dos reformadores, é alarmante a analise amenizadora que é tributada aos Reformadores em nossos tempos, que não corresponde a época da reforma, a citação abaixo reflete isto:

“O procedimento contra Servet serviu como modelo de um julgamento protestante herético... não se diferenciou em nenhum sentido dos métodos da Inquisição medieval... A Reforma vitoriosa, também, não foi capaz de resistir à tentação do poder.” (Ibidem, p. 326-329).

Referencias:

[1] AGUIAR Robson. O espinho na carne de João Calvino. Disponível em: http://pastorrobsonaguiar.nireblog.com/post/2009/08/08/o-espinho-na-carne-de-joao-calvino Acesso em: 18 agosto 2010

[2] WIKIPEDIA. Miguel Servet. [enciclopédia livre] Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Servet Acesso em: 18 agosto 2010.

[3] CORNER, Dan. As Cinzas Dele Clamam contra João Calvino. 1 junho 2007. Disponível em: http://arminianismo.com/ Acesso em: 18 agosto 2010.

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